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Quem foi Comenius

Jan Amos Comenius (1592-1670), foi pensador e educador checo, descendente da vertente hussita da Reforma (seguidores de Jan Huss – ca. 1369-1415), pacifista, pregava em pleno século XVII, o desarmamento mundial e o diálogo inter-religioso. Suas ideias se abrem para o terceiro milênio, pois foi precursor de projetos e propostas que apenas recentemente a civilização reconhece como diretrizes universais. É considerado o precursor da ONU. Zammenhof se inspirou nele para criar o esperanto, a língua universal. Declarava o direito universal da educação igualitária para todas as pessoas, de todos os povos e de qualquer condição. Tinha o projeto de pansofia – sabedoria do todo – e de pampædia – ensino para todos. Queria ligar pesquisa empírica (ciência), racionalidade filosófica e revelação religiosa para uma apreensão unitária, orgânica, integral da realidade. E queria tornar esse conhecimento acessível a todas as criaturas humanas. Ensinar tudo e todos – para que a humanidade se organizasse com os valores da fraternidade e da paz, era sua meta.

Comenius teve vida atribulada de perseguições e fugas, sofrimentos e trabalho árduo, morrendo no exílio, na Holanda, depois de perder pátria, família e bens. Mas deixou obra vastíssima, ainda largamente inédita no Ocidente (porque escrita na maior parte em checo e latim.)

“Nosso primeiro desejo é que todos os homens sejam educados plenamente em sua plena humanidade, não apenas um indivíduo, não alguns poucos, nem mesmo muitos, mas todos os homens, reunidos e individualmente, jovens e velhos, ricos e pobres, de nascimento elevado e humilde — numa palavra, qualquer um cujo destino é ter nascido ser humano: de forma que afinal toda a espécie humana seja educada, homens de todas as idades, todas as condições, de ambos os sexos e de todas as nações.

Nosso segundo desejo é que todo homem seja educado integralmente, formado corretamente, não num objeto particular ou em alguns objetos ou mesmo em muitos, mas em tudo o que aperfeiçoa a espécie humana; para que ele seja capaz de saber a verdade e não seja iludido pelo que é falso; para amar o bem e não ser seduzido pelo mal; para fazer o que deve ser feito e não permitir o que deve ser evitado; para falar sabiamente sobre tudo, com qualquer um, quando necessário e não ser estúpido em nenhum assunto e finalmente para lidar com as coisas, com os homens e com Deus, em todos os sentidos, racionalmente e não precipitadamente e assim nunca se afastando da meta da felicidade.

E educado em todos os aspectos: não para pompa e exibição, mas para a verdade; quer dizer, para tornar os homens o mais possível a imagem de Deus, na qual foram criados: verdadeiramente racionais e sábios, verdadeiramente ativos e espirituais, verdadeiramente morais e honrados, verdadeiramente pios e santos e assim verdadeiramente felizes e abençoados tanto aqui, quanto na eternidade.

Em suma, para iluminar todos os homens com a verdadeira sabedoria, para ordenarem suas vidas com verdadeiros governos e para uni-los a Deus com verdadeira religião, de modo que ninguém se equivoque em sua missão neste mundo.”

  Jan Amos Comenius (Pampædia)

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